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Câncer de Próstata Mata? Chances por Fase e Abiraterona no SUS

Foto do escritor: Dr. Bruno Benigno
Dr. Bruno Benigno
há 1 hora
11 min de leitura

Resposta rápida: O câncer de próstata pode matar, mas isso não é a regra: o risco depende principalmente da fase em que a doença é descoberta. Quando o tumor está só na próstata, cerca de 99% dos homens estão vivos após 5 anos; quando já há metástase, esse número cai para perto de 38%. Mesmo com metástase, tratamentos como a abiraterona, que agora chega ao SUS, controlam a doença por mais tempo e aumentam a sobrevida, embora não curem. Descobrir cedo, com PSA a partir dos 45 anos, continua sendo a melhor proteção.

Um homem de 68 anos, caminhoneiro aposentado, avô de cinco netos, escreveu ao nosso canal depois de saber da morte do cantor Benito di Paula, que, segundo a imprensa, tratava um câncer de próstata avançado. Ele tem a mesma doença, com metástases nos ossos, e acabara de ouvir do médico que receberia a abiraterona pelo SUS. A pergunta dele era direta: câncer de próstata mata? E esse remédio vai me ajudar?


Neste artigo, o Dr. Bruno Benigno, urologista e uro-oncologista em São Paulo (CRM-SP 126265 | RQE 60022), responde se o câncer de próstata mata, mostra as chances em cada fase da doença e explica, de forma prática, como a abiraterona funciona e como pedir o remédio no SUS.


Atualizado em 22 de outubro de 2026 · Revisão médica: Dr. Bruno Benigno, urologista (CRM-SP 126265)


Pontos-chave deste artigo


  • O câncer de próstata pode matar, mas a maioria dos homens diagnosticados não morre da doença.

  • A fase em que o câncer é descoberto é o fator que mais muda as chances de cura.

  • Com doença localizada e tratada, só cerca de 3 em cada 100 homens morrem do câncer em 15 anos.

  • A abiraterona é um comprimido que soma ao bloqueio hormonal e aumenta a sobrevida no câncer metastático, mas não cura.

  • No SUS, o pedido começa pela equipe que já trata o paciente; o Disque Saúde 136 informa o centro mais próximo.

  • O rastreamento com PSA deve ser conversado a partir dos 45 anos, ou dos 40 em homens negros ou com pai ou irmão com a doença.


Qual é o caso do paciente de 68 anos?


O paciente começou com uma dor nas costas que não passava. Os exames mostraram um câncer de próstata de alta agressividade, já espalhado para os ossos da coluna e da bacia, o que explicava a dor.


Dado

Achado

Idade

68 anos

Sintoma inicial

Dor nas costas persistente

PSA

86 ng/mL (referência usual: até 4)

Biópsia

Gleason 9 (alta agressividade; escala vai até 10)

Cintilografia óssea

3 metástases (coluna e bacia)

Tratamento em uso

Bloqueio hormonal com gosserrelina (Zoladex) a cada 3 meses

Próximo passo

Associar abiraterona com prednisona, pelo SUS


Quando há metástase, a cirurgia de retirada da próstata deixa de ser o tratamento principal. Na prática: é como uma colmeia que já espalhou abelhas; retirar a colmeia não resolve, porque as abelhas de fora refazem a colmeia em outro lugar. Por isso o tratamento passa a ser feito no corpo todo, com remédios.


Câncer de próstata mata?


Sim, o câncer de próstata pode matar, principalmente quando é descoberto já com metástase, mas a maioria dos homens diagnosticados não morre da doença. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) citados no vídeo, o Brasil registra cerca de 71 mil casos novos e cerca de 17 mil mortes por câncer de próstata por ano. É o segundo câncer que mais mata homens no país, e cerca de 1 em cada 7 homens terá a doença ao longo da vida.


Também existe uma diferença importante entre morrer com câncer de próstata e morrer do câncer de próstata. Uma revisão de 29 estudos de autópsia publicada no International Journal of Cancer mostrou que cerca de 59% dos homens acima de 79 anos tinham câncer de próstata, e a maioria morreu de outras causas sem nunca saber da doença [3]. Na prática: em homens mais velhos, um câncer pouco agressivo muitas vezes nem precisa de tratamento; já um câncer agressivo precisa de ação em qualquer idade.


O tumor é considerado agressivo quando tem Gleason 8, 9 ou 10, ou Gleason 7 com PSA acima de 20 ou com câncer em quase todos os fragmentos da biópsia, ou quando já é descoberto com metástase.


Quais as chances de cura em cada fase da doença?


A chance de sobreviver depende diretamente da fase em que o câncer é descoberto. Pelos dados de sobrevida usados no vídeo, a diferença entre a doença localizada e a metastática é enorme:


Fase no diagnóstico

Vivos após 5 anos (aprox.)

Só na próstata (localizada)

99%

Fora da próstata ou em gânglios próximos

Também muito alta

Com metástase à distância

38%


No estudo britânico ProtecT, publicado no The New England Journal of Medicine em 2023, 1.643 homens com câncer de próstata localizado, descoberto pelo PSA, foram acompanhados por 15 anos. Só 2,7% morreram do câncer, enquanto 21,7% morreram de outras causas [1]. Na prática: quando o câncer é descoberto no início, cerca de 3 em cada 100 homens morrem da doença em 15 anos.


Fazer o PSA reduz o risco de morrer de câncer de próstata?


Sim. O rastreamento com PSA reduz as mortes por câncer de próstata. O estudo europeu ERSPC, com 162.236 homens acompanhados por 23 anos e publicado no The New England Journal of Medicine em 2025, mostrou 13% menos mortes por câncer de próstata no grupo rastreado; para cada 12 homens diagnosticados, uma morte foi evitada [2]. Na prática: o PSA salva vidas, mas o diagnóstico precisa ser interpretado por um especialista, porque nem todo câncer descoberto precisa ser tratado.


Quando começar a conversar sobre o PSA com o urologista:


  • A partir dos 45 anos, para todos os homens (recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia).

  • A partir dos 40 anos, para homens negros ou com pai ou irmão com câncer de próstata.

  • A partir dos 40 anos, para quem tem mutação no gene BRCA2.

  • Na Europa, a referência é 50 anos para a população geral e 45 anos para grupos de risco.


O que é a abiraterona e como ela funciona?


A abiraterona é um comprimido de hormonioterapia que bloqueia a testosterona produzida fora dos testículos. A testosterona não causa o câncer de próstata, mas funciona como combustível para ele crescer. Ela é produzida em três lugares:


  • Testículos: cerca de 95% da testosterona do homem. São bloqueados pela injeção de bloqueio hormonal (como a gosserrelina).

  • Glândulas suprarrenais, que ficam sobre os rins: bloqueadas pela abiraterona.

  • O próprio tumor, que também produz um pouco de testosterona: bloqueado pela abiraterona.


Na prática: a injeção fecha a torneira dos testículos e a abiraterona fecha as outras duas. Juntas, deixam o tumor sem combustível. Por isso a abiraterona nunca substitui a injeção; ela é somada a ela. Para mais detalhes sobre a chegada do remédio à rede pública, leia Abiraterona no SUS: o que muda no câncer de próstata em 2026.


Para quem a abiraterona é indicada e quanto tempo de vida ela acrescenta?


A abiraterona é indicada para homens com câncer de próstata metastático: tanto para quem acabou de descobrir a metástase quanto para quem já fez outros tratamentos e voltou a progredir. Se o câncer está só na próstata, o tratamento é outro, como cirurgia ou radioterapia.


No estudo LATITUDE, publicado no The New England Journal of Medicine e com análise final no The Lancet Oncology, homens com câncer metastático de alto risco recém-diagnosticado que receberam abiraterona junto com o bloqueio hormonal tiveram sobrevida mediana de 53,3 meses, contra 36,5 meses sem o remédio [4][5]. O estudo britânico STAMPEDE confirmou uma redução de cerca de 37% no risco de morte [6]. Na prática: em média, a sobrevida passou de cerca de 3 anos para quase 5 anos. É uma média: há pacientes que vivem muito mais e outros que respondem menos.


Em doença de grande volume, o médico pode associar a abiraterona também à quimioterapia. No estudo PEACE-1, publicado no The Lancet, a combinação de bloqueio hormonal, quimioterapia com docetaxel e abiraterona aumentou a sobrevida em relação ao bloqueio com quimioterapia [7]. Na prática: nem todo paciente precisa de quimioterapia; essa decisão é individual.


Para quem já passou por quimioterapia, o ganho médio é mais modesto, de cerca de 4 meses. Para quem tem uma expectativa de vida curta, esses meses fazem diferença, especialmente com qualidade de vida.


Quiz: teste o que você aprendeu


Leia cada afirmação, pense se é verdade ou mito e toque nela para ver a resposta.


MITO. No início, o câncer de próstata não causa sintomas. Quando aparecem, como dor nos ossos, a doença costuma estar avançada. Por isso o PSA é importante.

MITO. Cada caso é único. A fase do diagnóstico e a agressividade do tumor mudam tudo, e os tratamentos evoluem a cada ano.

VERDADE. Homens negros, e também quem tem pai ou irmão com a doença, têm mais risco e devem começar o rastreamento aos 40 anos.

MITO. A abiraterona bloqueia a testosterona das suprarrenais e do tumor. A dos testículos continua sendo bloqueada pela injeção. Os dois são usados juntos.

VERDADE. A prednisona repõe o cortisol que a abiraterona também reduz. Ela nunca deve ser interrompida de repente.


Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso? Fale com a equipe da Clínica Uro Onco pelo WhatsApp.



Como tomar a abiraterona e quais os efeitos colaterais?


A abiraterona deve ser tomada em jejum, uma vez ao dia, sempre com prednisona e sem interromper a injeção de bloqueio hormonal. Com comida, o remédio é absorvido em excesso, o que aumenta os efeitos colaterais. A orientação prática do Dr. Bruno aos pacientes:


  • Dose usual: 1.000 mg (4 comprimidos de 250 mg ou 2 de 500 mg), todos de uma vez.

  • Tomar cerca de 2 horas depois de uma refeição (ex.: almoço ao meio-dia, remédio às 14h).

  • Ficar 1 hora sem comer depois de tomar.

  • Tomar junto a prednisona: ela repõe o cortisol que a abiraterona também reduz; não é um corticoide extra.

  • Manter a injeção de bloqueio hormonal.

  • Fazer exames a cada 3 meses: pressão, potássio, fígado e glicemia.


Os efeitos mais frequentes são pressão alta (cerca de 21% dos pacientes), queda do potássio e, mais raramente, alteração do fígado (cerca de 6%). Se necessário, o médico ajusta a dose.


Sinais de alerta para avisar o médico: inchaço nas pernas, cansaço intenso, falta de ar, câimbras, fraqueza, coração acelerado, olhos amarelados, urina muito escura, dor de cabeça forte ou pressão muito alta. Nunca pare a prednisona de repente: ela precisa ser retirada aos poucos, com orientação médica.


Como pedir a abiraterona pelo SUS?


O pedido começa pela equipe que já trata o seu câncer de próstata no SUS. A incorporação foi decidida em agosto de 2024, e a entrega mais ampla começou em outubro de 2026, inicialmente em 20 centros em 17 unidades da federação, com expansão prevista para todo o país.


  • Converse com o oncologista ou urologista que acompanha você: ele confere se o seu caso preenche os critérios.

  • Leve PSA, testosterona, biópsia e exames de imagem (cintilografia, tomografia ou PET-PSMA).

  • Para saber o centro de retirada mais próximo, ligue para o Disque Saúde 136, do Ministério da Saúde.

  • Não interrompa nem inicie nenhum tratamento por conta própria.



Como terminou a história do paciente?


Três meses depois de começar a abiraterona, o PSA do paciente caiu de 86 para 0,4, a dor nas costas desapareceu e ele voltou a pescar com o filho e o neto. A doença não foi curada, mas ele ganhou tempo e qualidade de vida.


Nem todos respondem da mesma forma: em alguns homens o PSA cai pouco. Por isso o acompanhamento a cada 3 meses é parte do tratamento.


Quais perguntas levar à próxima consulta?


  • Em que fase o meu câncer foi descoberto?

  • Ele é agressivo? Qual é o Gleason?

  • Tenho metástases? Tenho direito à abiraterona no meu caso?

  • Quais exames vou fazer e a cada quanto tempo?

  • Quais sintomas devo vigiar e quando devo procurar a equipe?

  • Meus filhos e irmãos devem fazer o PSA? A partir de quando?


Quando procurar um urologista?


  • Você tem 45 anos ou mais e nunca conversou sobre o PSA (40 anos se for negro ou tiver pai ou irmão com a doença).

  • Seu PSA está alterado ou subindo.

  • Dor nos ossos ou nas costas persistente em homem com histórico de câncer de próstata.

  • Diagnóstico recente de câncer de próstata com metástase.

  • PSA voltando a subir mesmo com o bloqueio hormonal.

  • Dúvida se o seu caso se encaixa na abiraterona pelo SUS ou desejo de uma segunda opinião.


Reconheceu algum desses sinais? Fale com a equipe da Clínica Uro Onco. O atendimento é presencial em São Paulo ou por teleconsulta, para pacientes de todo o Brasil.




Perguntas frequentes


Pode matar, principalmente quando é descoberto já com metástase. Mas a maioria dos homens diagnosticados não morre da doença: quando o câncer é descoberto no início e tratado, cerca de 3 em cada 100 homens morrem dele em 15 anos, segundo o estudo ProtecT.

Na maioria dos casos, o câncer de próstata com metástase nos ossos não tem cura, mas tem controle. Tratamentos como o bloqueio hormonal associado à abiraterona aumentam a sobrevida e podem aliviar a dor por muito tempo.

Não. A abiraterona controla o câncer de próstata metastático por mais tempo e aumenta a sobrevida, mas não é curativa. Ela é usada junto com a injeção de bloqueio hormonal.

No estudo LATITUDE, em homens com câncer metastático de alto risco recém-diagnosticado, a sobrevida mediana passou de 36,5 para 53,3 meses. É uma média: alguns pacientes vivem muito mais e outros respondem menos.

Converse com a equipe que já trata o seu câncer no SUS, que confere se o caso preenche os critérios e faz a prescrição. O Disque Saúde 136 informa o centro de retirada mais próximo.

Uma vez ao dia, em jejum (cerca de 2 horas depois de uma refeição e ficando 1 hora sem comer depois), sempre com prednisona e mantendo a injeção de bloqueio hormonal, com exames a cada 3 meses.



Sobre o autor


Dr. Bruno Benigno é urologista e uro-oncologista, fundador da Clínica Uro Onco, com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês, Nove de Julho, Beneficência Portuguesa e Hospital Santa Catarina). Atua em câncer de próstata, rim e bexiga e em cirurgias minimamente invasivas. CRM-SP 126265 | RQE 60022.


Se este conteúdo foi útil, compartilhe com quem precisa. Tem dúvidas? Agende uma avaliação com o Dr. Bruno Benigno.


WhatsApp: (11) 99590-1506 | Telefone: (11) 2769-3929 | R. Borges Lagoa 1070, Cj 131, Vila Mariana – São Paulo/SP



Referências bibliográficas


  1. Hamdy FC, Donovan JL, Lane JA, et al. Fifteen-Year Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer. N Engl J Med. 2023;388(17):1547-1558. doi:10.1056/NEJMoa2214122. Acesse o estudo original

  2. Roobol MJ, de Vos II, Månsson M, et al. European Study of Prostate Cancer Screening - 23-Year Follow-up. N Engl J Med. 2025;393(17):1669-1680. doi:10.1056/NEJMoa2503223. Acesse o estudo original

  3. Bell KJ, Del Mar C, Wright G, et al. Prevalence of incidental prostate cancer: A systematic review of autopsy studies. Int J Cancer. 2015;137(7):1749-1757. doi:10.1002/ijc.29538. Acesse o estudo original

  4. Fizazi K, Tran N, Fein L, et al. Abiraterone plus Prednisone in Metastatic, Castration-Sensitive Prostate Cancer. N Engl J Med. 2017;377(4):352-360. doi:10.1056/NEJMoa1704174. Acesse o estudo original

  5. Fizazi K, Tran N, Fein L, et al. Abiraterone acetate plus prednisone in patients with newly diagnosed high-risk metastatic castration-sensitive prostate cancer (LATITUDE): final overall survival analysis. Lancet Oncol. 2019;20(5):686-700. doi:10.1016/S1470-2045(19)30082-8. Acesse o estudo original

  6. James ND, de Bono JS, Spears MR, et al. Abiraterone for Prostate Cancer Not Previously Treated with Hormone Therapy. N Engl J Med. 2017;377(4):338-351. doi:10.1056/NEJMoa1702900. Acesse o estudo original

  7. Fizazi K, Foulon S, Carles J, et al. Abiraterone plus prednisone added to androgen deprivation therapy and docetaxel in de novo metastatic castration-sensitive prostate cancer (PEACE-1). Lancet. 2022;399(10336):1695-1707. doi:10.1016/S0140-6736(22)00367-1. Acesse o estudo original


Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Não substitui a consulta médica. Consulte um especialista para avaliação individual.


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