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Abiraterona no SUS: o que muda no câncer de próstata em 2026

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Dr. Bruno Benigno
há 1 dia
9 min de leitura

Atualizado: há 1 hora


Resposta rápida: Sim: a abiraterona passou a ser oferecida pelo SUS a partir de outubro de 2026, para homens com câncer de próstata metastático (sensível ou resistente à hormonioterapia) e para casos resistentes à hormonioterapia sem metástase. É um comprimido que bloqueia a produção de hormônios masculinos que alimentam o tumor e que, em grandes estudos, aumentou a sobrevida dos pacientes. A oferta começa em 20 centros de tratamento e deve chegar a toda a rede oncológica até o fim do ano. O paciente deve conversar com o seu oncologista ou urologista no serviço onde já faz o tratamento.

Durante anos, um homem com câncer de próstata metastático tratado pelo SUS muitas vezes não tinha acesso ao mesmo comprimido que o paciente com plano de saúde já usava. A diferença não estava na ciência: estava no acesso. Em outubro de 2026, isso começou a mudar.


Neste artigo, o urologista e uro-oncologista Dr. Bruno Benigno (CRM-SP 126265 | RQE 60022), fundador da Clínica Uro Onco, em São Paulo, explica o que significa a chegada da abiraterona no SUS, quem pode se beneficiar, o que dizem os estudos científicos e o que muda também para o câncer de rim.


Atualizado em 21 de outubro de 2026 · Revisão médica: Dr. Bruno Benigno, urologista (CRM-SP 126265)


Pontos-chave deste artigo


  • O Ministério da Saúde começou a oferecer nove novos medicamentos oncológicos no SUS em outubro de 2026, para 13 indicações e mais de 116 mil pacientes.

  • A abiraterona é um comprimido de hormonioterapia de nova geração, usado junto com um corticoide e com o bloqueio hormonal convencional.

  • Grandes estudos internacionais mostraram que a abiraterona reduz em cerca de um terço o risco de morte no câncer de próstata metastático.

  • Para o câncer de rim metastático, o SUS passa a oferecer sunitinibe e pazopanibe.

  • Segundo o Ministério, muitos desses remédios já estavam incorporados havia mais de dez anos, mas sem oferta efetiva nos serviços.

  • A oferta começa em 20 centros e deve chegar a todos os serviços de oncologia do SUS até o fim de 2026.


O que o Ministério da Saúde anunciou?


O Ministério da Saúde começou a oferecer, a partir da semana de 20 de outubro de 2026, nove novos medicamentos de alta tecnologia contra o câncer no SUS. Eles cobrem 13 indicações diferentes e devem beneficiar mais de 116 mil pessoas, segundo o governo. É a maior inclusão de remédios oncológicos já feita de uma só vez na rede pública.


A distribuição começa em 20 centros de tratamento, em 16 estados e no Distrito Federal, incluindo São Paulo. A meta é chegar a todos os centros até o fim do ano e alcançar 23 novos medicamentos oncológicos, o que amplia em cerca de 35% as opções da rede pública.


Três dos nove medicamentos tratam tumores urológicos:


Medicamento

Tipo de câncer

Indicação anunciada no SUS

Abiraterona

Próstata

Metastático sensível à hormonioterapia; resistente à hormonioterapia, com ou sem metástase

Sunitinibe

Rim

Carcinoma de células claras metastático (também GIST após falha do imatinibe)

Pazopanibe

Rim

Carcinoma de células claras metastático


Os outros seis são trastuzumabe (estômago), abemaciclibe (mama), lanreotida (tumores neuroendócrinos), rituximabe (leucemias e linfomas), gefitinibe (pulmão) e alfatirotropina (tireoide).


O que é a abiraterona e como ela funciona?


A abiraterona é um comprimido de hormonioterapia que bloqueia a produção dos hormônios masculinos (andrógenos) que alimentam o câncer de próstata. Ela age em uma enzima chamada CYP17, presente nos testículos, nas glândulas suprarrenais e no próprio tumor.


O bloqueio hormonal tradicional, feito com injeções ou cirurgia, reduz a testosterona produzida pelos testículos. Mas o tumor encontra outras fontes de hormônio. A abiraterona fecha essas portas extras. Na prática: ela não substitui o bloqueio hormonal; ela soma a ele, tornando o tratamento mais completo.


Ela é tomada uma vez ao dia, em jejum, sempre associada a uma dose baixa de corticoide (prednisona ou prednisolona), que protege o organismo de alguns efeitos colaterais.


Quem pode se beneficiar da abiraterona?


A abiraterona é indicada principalmente para homens com câncer de próstata que já se espalhou (metastático). Existem dois grandes cenários:


  • Doença metastática sensível à hormonioterapia: o câncer acabou de ser diagnosticado com metástases ou ainda responde ao bloqueio hormonal.

  • Doença resistente à hormonioterapia (resistente à castração): o PSA ou as metástases voltam a crescer mesmo com a testosterona bloqueada.


No estudo LATITUDE, publicado no The New England Journal of Medicine e atualizado no The Lancet Oncology, homens com câncer metastático de alto risco recém-diagnosticado que receberam abiraterona viveram, em média, 53,3 meses, contra 36,5 meses no grupo sem o remédio, uma redução de 34% no risco de morte [1][2]. Na prática: quase um ano e meio a mais de vida, em média, quando o remédio é usado desde o início da doença metastática.


O estudo britânico STAMPEDE, com 1.917 homens, confirmou o resultado: a adição da abiraterona ao bloqueio hormonal reduziu o risco de morte em 37% [3]. Na prática: dois grandes estudos independentes chegaram à mesma conclusão, o que dá muita segurança à recomendação.


Já na doença resistente à castração, o estudo COU-AA-301 mostrou aumento da sobrevida de 10,9 para 14,8 meses em pacientes que já tinham feito quimioterapia [4], e o COU-AA-302 mostrou benefício também antes da quimioterapia [5]. Na prática: mesmo quando o câncer deixa de responder ao tratamento hormonal, a abiraterona ainda ajuda a controlar a doença.


Por isso, as diretrizes da Associação Europeia de Urologia (EAU), da Associação Americana de Urologia (AUA) e da NCCN recomendam intensificar o tratamento hormonal no câncer metastático, e a abiraterona é uma das opções mais estudadas para isso.


Quiz: teste o que você aprendeu


Leia cada afirmação, pense se é verdade ou mito e toque nela para ver a resposta.


MITO. É uma hormonioterapia em comprimido: bloqueia a produção de hormônios masculinos que alimentam o tumor.

VERDADE. Ela é usada com prednisona ou prednisolona em dose baixa, para reduzir efeitos como queda do potássio e retenção de líquidos.

MITO. A abiraterona soma ao bloqueio hormonal convencional; ele deve ser mantido.

VERDADE. Nos estudos LATITUDE e STAMPEDE, o risco de morte caiu entre 34% e 37%.

MITO. Ela é indicada principalmente para a doença metastática ou resistente à hormonioterapia. Muitos casos localizados são tratados com cirurgia, radioterapia ou vigilância ativa.


Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso? Fale com a equipe da Clínica Uro Onco pelo WhatsApp.



Por que essa notícia corrige uma defasagem de anos?


Porque a abiraterona é usada na rede privada e recomendada pelas diretrizes internacionais há mais de uma década. Ela foi aprovada nos Estados Unidos em 2011, e os grandes estudos na doença sensível à hormonioterapia foram publicados em 2017.


O próprio Ministério da Saúde reconheceu que muitos dos medicamentos agora disponibilizados já estavam incorporados ao SUS havia mais de dez anos, mas sem oferta efetiva nos serviços. Para resolver isso, o governo passou a comprar e negociar diretamente parte dos remédios e organizou atas de preço para os estados.


Na prática: o paciente do SUS e o paciente com plano de saúde passam a ter acesso a um tratamento semelhante para o câncer de próstata metastático. É uma conquista para o sistema público e, principalmente, para os pacientes e suas famílias.


Vale lembrar que, em maio de 2026, o Ministério também anunciou financiamento permanente da cirurgia robótica para o câncer de próstata no SUS, outro passo para aproximar a rede pública do que já é padrão no mundo.


O que muda para o câncer de rim?


O SUS passa a oferecer sunitinibe e pazopanibe para o carcinoma de células claras do rim metastático, o tipo mais comum de câncer de rim. São comprimidos que bloqueiam a formação de novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor.


No estudo que levou à aprovação do sunitinibe, publicado no The New England Journal of Medicine, o tempo até a doença voltar a crescer passou de 5 para 11 meses em comparação ao tratamento anterior [6]. Depois, o estudo COMPARZ mostrou que o pazopanibe tem eficácia semelhante, com melhor qualidade de vida em vários aspectos [7]. Na prática: são remédios que controlam a doença por mais tempo e que o paciente toma em casa.


Na rede privada, o tratamento inicial do câncer de rim metastático hoje costuma combinar esses medicamentos com imunoterapia. Ainda assim, sunitinibe e pazopanibe seguem sendo opções importantes, e a chegada deles ao SUS reduz uma diferença significativa de acesso.


Quais são os efeitos colaterais da abiraterona?


A abiraterona costuma ser bem tolerada, mas exige acompanhamento médico regular. Os efeitos mais comuns, descritos nos estudos, são:


  • Aumento da pressão arterial.

  • Queda do potássio no sangue (hipocalemia).

  • Retenção de líquidos e inchaço nas pernas.

  • Alteração das enzimas do fígado.

  • Cansaço e efeitos do próprio bloqueio hormonal, como ondas de calor.


Por isso, o médico solicita exames de sangue periódicos (potássio e função do fígado) e acompanha a pressão. Na prática: nunca suspenda o corticoide por conta própria e leve a lista de todos os seus remédios às consultas.


Como o paciente do SUS pode ter acesso?


O caminho é conversar com a equipe que já acompanha o seu câncer, no serviço de oncologia do SUS (CACON ou UNACON). É o médico que avalia se o seu caso se encaixa nas indicações e faz a prescrição.


  • Leve seus exames mais recentes: PSA, testosterona, cintilografia óssea, tomografia ou PET-PSMA.

  • Pergunte se o seu centro já está entre os primeiros a receber o medicamento.

  • Se o centro ainda não recebeu, a previsão do Ministério é de expansão para toda a rede até o fim de 2026.

  • Não interrompa o bloqueio hormonal: a abiraterona é usada junto com ele.


Fontes oficiais e reportagens sobre o anúncio




Quando procurar um urologista?


  • PSA subindo depois de cirurgia ou radioterapia.

  • Diagnóstico recente de câncer de próstata com metástase.

  • PSA voltando a subir mesmo com o bloqueio hormonal.

  • Dor óssea persistente em homem com histórico de câncer de próstata.

  • Nódulo no rim descoberto em exame de imagem.

  • Dúvida sobre se o seu caso se encaixa nos novos tratamentos do SUS.


Você ou alguém da sua família está nessa situação? Fale com a equipe da Clínica Uro Onco. O atendimento é presencial em São Paulo ou por teleconsulta, para pacientes de todo o Brasil.




Perguntas frequentes


Ainda não. Segundo o Ministério da Saúde, a oferta começou em outubro de 2026 em 20 centros de tratamento, em 16 estados e no Distrito Federal, e deve chegar a todos os serviços de oncologia do SUS até o fim de 2026. O paciente deve perguntar à equipe do seu centro de tratamento.

Segundo o anúncio do Ministério da Saúde, para homens com câncer de próstata metastático sensível à hormonioterapia e para câncer de próstata resistente à hormonioterapia, com ou sem metástase. A decisão de usar depende da avaliação do médico que acompanha o caso.

Não. Na doença metastática, a abiraterona controla o câncer por mais tempo e aumenta a sobrevida, mas não é considerada curativa. Ela é usada junto com o bloqueio hormonal e, em alguns casos, com outros tratamentos.

Os mais comuns são aumento da pressão arterial, queda do potássio, retenção de líquidos e alteração das enzimas do fígado. Por isso, o tratamento exige exames de sangue periódicos e acompanhamento médico regular, e é tomado junto com um corticoide em dose baixa.

É o câncer de próstata que volta a crescer, com aumento do PSA ou das metástases, mesmo quando a testosterona está bloqueada pelo tratamento hormonal. Nessa fase, medicamentos como a abiraterona ainda podem controlar a doença.

Além da abiraterona, o SUS passou a oferecer sunitinibe e pazopanibe (câncer de rim), trastuzumabe (estômago), abemaciclibe (mama), lanreotida (tumores neuroendócrinos), rituximabe (leucemias e linfomas), gefitinibe (pulmão) e alfatirotropina (tireoide).



Sobre o autor


Dr. Bruno Benigno é urologista e uro-oncologista, fundador da Clínica Uro Onco, com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês, Nove de Julho, Beneficência Portuguesa e Hospital Santa Catarina). Atua em câncer de próstata, rim e bexiga e em cirurgias minimamente invasivas. CRM-SP 126265 | RQE 60022.


Se este conteúdo foi útil, compartilhe com quem precisa. Tem dúvidas? Agende uma avaliação com o Dr. Bruno Benigno.


WhatsApp: (11) 99590-1506 | Telefone: (11) 2769-3929 | R. Borges Lagoa 1070, Cj 131, Vila Mariana – São Paulo/SP



Referências bibliográficas


  1. Fizazi K, Tran N, Fein L, et al. Abiraterone plus Prednisone in Metastatic, Castration-Sensitive Prostate Cancer. N Engl J Med. 2017;377(4):352-360. doi:10.1056/NEJMoa1704174. Acesse o estudo original

  2. Fizazi K, Tran N, Fein L, et al. Abiraterone acetate plus prednisone in patients with newly diagnosed high-risk metastatic castration-sensitive prostate cancer (LATITUDE): final overall survival analysis. Lancet Oncol. 2019;20(5):686-700. doi:10.1016/S1470-2045(19)30082-8. Acesse o estudo original

  3. James ND, de Bono JS, Spears MR, et al. Abiraterone for Prostate Cancer Not Previously Treated with Hormone Therapy. N Engl J Med. 2017;377(4):338-351. doi:10.1056/NEJMoa1702900. Acesse o estudo original

  4. de Bono JS, Logothetis CJ, Molina A, et al. Abiraterone and increased survival in metastatic prostate cancer. N Engl J Med. 2011;364(21):1995-2005. doi:10.1056/NEJMoa1014618. Acesse o estudo original

  5. Ryan CJ, Smith MR, de Bono JS, et al. Abiraterone in metastatic prostate cancer without previous chemotherapy. N Engl J Med. 2013;368(2):138-148. doi:10.1056/NEJMoa1209096. Acesse o estudo original

  6. Motzer RJ, Hutson TE, Tomczak P, et al. Sunitinib versus interferon alfa in metastatic renal-cell carcinoma. N Engl J Med. 2007;356(2):115-124. doi:10.1056/NEJMoa065044. Acesse o estudo original

  7. Motzer RJ, Hutson TE, Cella D, et al. Pazopanib versus sunitinib in metastatic renal-cell carcinoma. N Engl J Med. 2013;369(8):722-731. doi:10.1056/NEJMoa1303989. Acesse o estudo original


Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Não substitui a consulta médica. Consulte um especialista para avaliação individual.


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