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Gleason 6 na Biópsia: Quando o PET-PSMA Revela Câncer Agressivo

Foto do escritor: Dr. Bruno Benigno
Dr. Bruno Benigno
há 59 minutos
9 min de leitura

Resposta rápida: Gleason 6 na biópsia costuma indicar câncer de próstata de baixa agressividade, mas a biópsia é só uma amostra e pode deixar de pegar a parte mais agressiva do tumor. Em homens com Gleason 6 que foram operados, cerca de metade teve o câncer reclassificado para um grau maior. Quando a ressonância e a biópsia discordam, o PET-PSMA pode ajudar: brilho alto (SUV alto) aumenta muito a chance de existir doença mais agressiva. O PET-PSMA não substitui a biópsia e ainda não é rotina nas diretrizes para esse uso.

Receber o diagnóstico de câncer de próstata e ouvir que ele é "de baixa agressividade" traz alívio. A vigilância ativa permite acompanhar sem operar de imediato. Mas e se o resultado da biópsia não contar a história inteira?


Neste artigo, o Dr. Bruno Benigno, urologista e uro-oncologista em São Paulo (CRM-SP 126265 | RQE 60022), conta o caso real de um paciente com Gleason 6 na biópsia, indicado para vigilância ativa, em que o PET-PSMA mudou a decisão e a cirurgia revelou um câncer Gleason 9.


Atualizado em 23 de outubro de 2026 · Revisão médica: Dr. Bruno Benigno, urologista (CRM-SP 126265)


Pontos-chave deste artigo


  • Gleason 6 (ISUP 1) é o grau mais baixo de câncer de próstata e, quando confirmado, costuma ser acompanhado com vigilância ativa.

  • A biópsia é uma amostra: a agulha pode passar ao lado da área mais agressiva do tumor (falso negativo).

  • Ressonância com PI-RADS 4 ou 5 em um paciente com Gleason 6 é um sinal de alerta que merece investigação.

  • O PET-PSMA mede o "brilho" (SUV) das células de câncer; brilho alto está associado a maior agressividade.

  • Ressonância e PET-PSMA juntos deixam escapar menos câncer importante do que a ressonância sozinha.

  • O PET-PSMA não substitui a biópsia e pode ter falsos positivos (inflamação) e falsos negativos.


O caso: Gleason 6 na biópsia, Gleason 9 na cirurgia


O paciente, que vamos chamar de Renato (nome fictício), tem 62 anos, é diabético há muitos anos e usava dutasterida, um remédio que reduz o PSA pela metade. Por isso, o PSA de 5,6 ng/mL equivalia, na prática, a um PSA próximo de 11.


A ressonância mostrou uma lesão PI-RADS 4. A biópsia retirou 22 fragmentos: 3 vieram com câncer Gleason 6. A revisão de lâminas em um laboratório de referência confirmou o Gleason 6. A indicação inicial era vigilância ativa. Veja também: Gleason 6: precisa operar ou fazer vigilância ativa?


Etapa

Achado

Dez/2025

PSA 5,6 ng/mL em uso de dutasterida (PSA real próximo de 11)

Jan/2026

Ressonância: lesão PI-RADS 4

Fev/2026

Biópsia: 3 de 22 fragmentos com Gleason 6; revisão confirmou

Antes de decidir

PET-PSMA: SUV 11 na próstata (brilho alto)

Ago/2026

Cirurgia robótica: Gleason 9, tumor de 5 mm, restrito à próstata, margens livres

Após a cirurgia

PSA 0,06; continência urinária controlada; ereção em recuperação; teste genético indicado


Na prática: os sinais discordantes (PI-RADS 4 com Gleason 6 e três fragmentos positivos) motivaram um exame extra antes de seguir em vigilância. O PET-PSMA com brilho alto antecipou a decisão e o tumor foi tratado enquanto ainda estava restrito à próstata.


Gleason 6 pode ser mais agressivo do que parece?


Sim. Gleason 6 na biópsia pode esconder um câncer mais agressivo porque a biópsia retira apenas pequenos cilindros de tecido, finos como um palito. Se a agulha passar ao lado do foco de maior grau, o laudo mostra só a parte menos agressiva. Isso é chamado de subestimação ou falso negativo da biópsia.


Um estudo publicado no British Journal of Radiology em 2026 avaliou homens com Gleason 6 (ISUP 1) na biópsia que fizeram PET-PSMA e depois cirurgia: 49,3% tiveram o câncer reclassificado para um grau maior na peça cirúrgica [1]. Na prática: em cerca de metade dos casos operados, o Gleason 6 da biópsia não era o grau real do tumor.



Vigilância ativa é segura no Gleason 6?


A vigilância ativa é segura quando o câncer é de fato de baixa agressividade. O estudo ProtecT, publicado no New England Journal of Medicine em 2023, acompanhou 1.643 homens por 15 anos [2].


Desfecho em 15 anos

Monitoramento ativo

Cirurgia (prostatectomia)

Morte por câncer de próstata

3,1%

2,2%

Metástases

9,4%

4,7%

Progressão clínica

25,9%

10,5%


Na prática: o risco de morrer pelo câncer em 15 anos foi parecido, mas quem só acompanhou teve cerca do dobro de metástases. Por isso é tão importante ter certeza de que o câncer é mesmo de baixo risco antes de escolher a vigilância. Mais sobre o tema: sinais de alerta na vigilância ativa.


O que é o PET-PSMA e o que significa o SUV?


O PET-PSMA é um exame de imagem que combina tomografia com um marcador injetado na veia que se liga ao PSMA, uma proteína presente na superfície das células do câncer de próstata. Não confunda: PSMA não é o PSA. O PSA é um exame de sangue produzido por toda a próstata; o PSMA é o "alvo" que o PET procura.


O SUV (valor padronizado de captação) mede a intensidade do brilho. Funciona como uma lâmpada: quanto mais brilho, maior a chance de o câncer ser agressivo. Em estudo multicêntrico internacional com 605 homens operados, publicado no European Journal of Nuclear Medicine and Molecular Imaging, o SUV e outros parâmetros do PET estiveram associados a graus mais altos (ISUP 4 ou mais) na cirurgia [3]. Na prática: o brilho do PET ajuda a estimar a agressividade, além de mostrar onde o tumor está.



O brilho do PET-PSMA prevê se o Gleason 6 está errado?


Os estudos mais recentes indicam que sim, com boa precisão. Um estudo publicado no Annals of Nuclear Medicine em 2026 avaliou 71 homens com Gleason 6 na biópsia e PSA abaixo de 20 que fizeram PET-PSMA antes da cirurgia [4]. No total, 63,4% tiveram o grau aumentado na peça cirúrgica.


Resultado do PET-PSMA (escore PRIMARY)

Câncer mais agressivo na cirurgia

Escore 1 a 3 (brilho baixo ou ausente)

25%

Escore 4 (brilho intenso)

81,3%

Escore 5 (brilho muito intenso)

100%


Na prática: quanto mais o PET brilha, mais o Gleason 6 da biópsia engana. É um estudo pequeno e retrospectivo, e por isso ainda não muda as diretrizes, mas aponta na mesma direção de outros trabalhos. No estudo de 2026 do British Journal of Radiology, um SUV a partir de 4,6 foi um preditor independente de reclassificação [1].


Ressonância e PET-PSMA juntos são melhores?


Sim: usados juntos, ressonância e PET-PSMA deixam escapar menos câncer importante. No estudo PRIMARY, publicado na European Urology em 2021 com 291 homens, a combinação detectou 97% dos cânceres clinicamente significativos, contra 83% da ressonância sozinha; o valor preditivo negativo subiu de 72% para 91% [5]. A especificidade, porém, caiu (40% contra 53%).


Em 2024, o mesmo grupo publicou no Journal of Urology um escore combinado (ressonância + PET): nos casos com SUV acima de 12, todos os pacientes tinham câncer clinicamente significativo [6]. Na prática: os dois exames se complementam; um não substitui o outro.


O que o PET-PSMA faz e o que ele não faz?


  • Faz: mostra áreas de maior atividade que a biópsia pode não ter atingido.

  • Faz: ajuda a decidir entre acompanhar e tratar quando ressonância e biópsia discordam.

  • Faz: é rápido e não usa agulha na próstata.

  • Não faz: não substitui a biópsia, que continua sendo a única forma de confirmar o diagnóstico.

  • Limitação: brilho baixo não descarta câncer importante (tumores pequenos e espalhados podem não aparecer).

  • Limitação: inflamação também pode brilhar (falso positivo).

  • Limitação: envolve radiação e nem todos os convênios cobrem esse uso.


Quando ressonância e biópsia discordam, o Dr. Bruno Benigno solicita o PET-PSMA antes de definir a vigilância ativa. Brilho baixo: segue-se o protocolo de vigilância. Brilho alto: a decisão é antecipada e a estratégia é revista com o paciente.


Quiz: teste o que você aprendeu


Leia cada afirmação, pense se é verdade ou mito e toque nela para ver a resposta.


MITO. A biópsia é uma amostra. Em cerca de metade dos homens operados com Gleason 6, o grau real era maior.

MITO. O PSA é um exame de sangue produzido por toda a próstata. O PSMA é uma proteína das células do câncer, que o PET usa como alvo.

MITO. Brilho baixo não descarta câncer importante. A biópsia continua sendo a forma de confirmar o diagnóstico.

VERDADE. Por isso o urologista multiplica o valor por dois para interpretar o resultado.

MITO. Aumenta muito a chance, mas uma inflamação também pode brilhar (falso positivo).


Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso? Fale com a equipe da Clínica Uro Onco pelo WhatsApp.



O que dizem as diretrizes sobre vigilância ativa e PET-PSMA?


As diretrizes nacionais e internacionais (EAU, AUA, NCCN) recomendam a vigilância ativa como opção preferencial para o câncer de próstata de baixo risco confirmado, com ressonância antes da biópsia e, quando necessário, revisão do laudo. Hoje, o PET-PSMA é indicado principalmente para estadiamento de doença de risco mais alto; seu uso para decidir a vigilância ativa ainda não é rotina nas diretrizes.


Na prática: é um dado da fronteira da urologia. As evidências estão se acumulando e devem ser incorporadas aos protocolos à medida que forem confirmadas por estudos maiores.


Quais perguntas levar ao seu urologista?


  1. A minha ressonância e a minha biópsia estão de acordo?

  2. A biópsia foi dirigida por fusão de imagens, de preferência por via transperineal?

  3. Vale revisar as lâminas da biópsia em um laboratório de referência?

  4. No meu caso de Gleason 6, um PET-PSMA ajudaria a decidir pela vigilância ativa?

  5. Se o PET vier com brilho alto, o que muda na conduta?

  6. Qual será o meu calendário de vigilância (PSA, ressonância e nova biópsia)?


Quando procurar um urologista?


  • Recebeu diagnóstico de Gleason 6 e está em dúvida entre vigilância ativa e tratamento

  • A ressonância mostrou PI-RADS 4 ou 5, mas a biópsia veio com Gleason 6

  • Mais de dois fragmentos da biópsia vieram com câncer

  • O PSA está subindo durante a vigilância ativa

  • Usa finasterida ou dutasterida e não sabe como interpretar o seu PSA

  • Quer uma segunda opinião antes de decidir


Está em vigilância ativa ou acabou de receber um Gleason 6? Fale com a equipe da Clínica Uro Onco. O atendimento é presencial em São Paulo ou por teleconsulta, para pacientes de todo o Brasil.




Perguntas frequentes sobre Gleason 6 e PET-PSMA


Gleason 6, também chamado de ISUP 1, é o grau mais baixo de câncer de próstata. Indica células pouco agressivas na amostra retirada. Quando confirmado por ressonância e biópsia adequadas, costuma ser acompanhado com vigilância ativa em vez de tratamento imediato.

Em geral, o que acontece não é uma transformação rápida, mas uma subestimação: a biópsia não atingiu a área mais agressiva que já existia. Estudos mostram que cerca de metade dos homens com Gleason 6 na biópsia que foram operados tinham grau maior na peça cirúrgica.

Não. A biópsia continua sendo a única forma de confirmar o diagnóstico de câncer de próstata. O PET-PSMA complementa a ressonância e pode mostrar áreas de maior atividade, mas brilho baixo não descarta câncer importante e inflamações podem brilhar.

SUV é o valor padronizado de captação, uma medida da intensidade do brilho do marcador em uma área. Quanto maior o SUV, maior a chance de câncer e de câncer mais agressivo. Valores muito altos, acima de 10 a 12, estão fortemente associados a doença clinicamente significativa.

Não para todos. As diretrizes ainda não recomendam o PET-PSMA de rotina nesse cenário. Ele pode ser considerado quando há discordância, como ressonância PI-RADS 4 ou 5 com biópsia Gleason 6, mais fragmentos positivos que o esperado ou PSA desproporcional. A decisão deve ser individual, com o urologista.

É segura para o câncer de próstata de baixo risco bem confirmado. No estudo ProtecT, a mortalidade por câncer em 15 anos foi semelhante entre acompanhar e operar, mas as metástases foram cerca de duas vezes mais frequentes no grupo acompanhado, o que reforça a importância de um diagnóstico preciso e de um seguimento rigoroso.



Sobre o autor


Dr. Bruno Benigno é urologista e uro-oncologista, fundador da Clínica Uro Onco, com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês, Nove de Julho, Beneficência Portuguesa e Hospital Santa Catarina). Atua em câncer de próstata, rim e bexiga e em cirurgias minimamente invasivas. CRM-SP 126265 | RQE 60022.


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WhatsApp: (11) 99590-1506 | Telefone: (11) 2769-3929 | R. Borges Lagoa 1070, Cj 131, Vila Mariana – São Paulo/SP



Referências bibliográficas


  1. Özbilen MH, Karaca E, Sağmak B, Kök YE, et al. Prediction of upgrading in clinically insignificant prostate cancer patients undergoing radical prostatectomy: the value of Ga-68-PSMA PET/CT. Br J Radiol. 2026;99(1182):1162-1170. doi:10.1093/bjr/tqag085. Acesse o estudo original

  2. Hamdy FC, Donovan JL, Lane JA, et al. Fifteen-Year Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer. N Engl J Med. 2023;388(17):1547-1558. doi:10.1056/NEJMoa2214122. Acesse o estudo original

  3. Soeterik TFW, Heetman JG, Hermsen R, et al. The association of quantitative PSMA PET parameters with pathologic ISUP grade: an international multicenter analysis. Eur J Nucl Med Mol Imaging. 2024;52(1):314-325. doi:10.1007/s00259-024-06847-y. Acesse o estudo original

  4. Ciftci E, Akovali B, Gumusgoz HS, Erkek BK. Predictive value of the 68Ga-PSMA-11 PET/CT PRIMARY score for pathological upgrading in patients with ISUP Grade 1 prostate cancer and PSA < 20 ng/mL undergoing radical prostatectomy. Ann Nucl Med. 2026;40(7):746-753. doi:10.1007/s12149-026-02179-z. Acesse o estudo original

  5. Emmett L, Buteau J, Papa N, et al. The Additive Diagnostic Value of PSMA PET/CT to Multiparametric MRI Triage in the Diagnosis of Prostate Cancer (PRIMARY): A Prospective Multicentre Study. Eur Urol. 2021;80(6):682-689. doi:10.1016/j.eururo.2021.08.002. Acesse o estudo original

  6. Emmett L, Papa N, Hope TA, Fendler W, et al. Beyond PI-RADS: Combining MRI PI-RADS and PSMA-PET/CT PRIMARY Score in a Composite (P) Score for More Accurate Diagnosis of Clinically Significant Prostate Cancer. J Urol. 2024;212(2):299-309. doi:10.1097/JU.0000000000004010. Acesse o estudo original


Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Não substitui a consulta médica. Consulte um especialista para avaliação individual.


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