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Prostatectomia Robótica: 10 Dúvidas Sobre Urina, Ereção e PSA

Foto do escritor: Dr. Bruno Benigno
Dr. Bruno Benigno
15 de out.
6 min de leitura

Receber o diagnóstico de câncer de próstata e ouvir que a cirurgia é uma opção costuma trazer, junto com o alívio de ter um tratamento, uma série de medos silenciosos: vou perder o controle da urina? Vou ficar impotente? E se o PSA voltar a subir? Essas dúvidas são legítimas e merecem respostas claras.


Neste artigo, o Dr. Bruno Benigno, urologista e uro-oncologista em São Paulo (CRM-SP 126265 | RQE 60022), com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas, organiza as 10 perguntas mais frequentes sobre a prostatectomia robótica — a cirurgia de próstata para tratamento do câncer — e o que a ciência mostra sobre cada uma delas. Assista ao vídeo completo acima e use este texto como guia de consulta.


1. Vou perder o controle da urina depois da cirurgia de próstata?


A perda de urina logo após a retirada da sonda é comum e, na grande maioria dos homens, temporária. A próstata fica muito próxima do esfíncter urinário — o músculo que segura a urina — e o organismo precisa de um tempo para se readaptar.


Uma revisão sistemática publicada na revista European Urology, que reuniu 51 estudos sobre prostatectomia robótica, mostrou que, um ano após a cirurgia, a taxa média de incontinência ficou em torno de 9% quando se considera nenhum absorvente ou apenas um absorvente de segurança [1]. Na prática: a maioria dos pacientes recupera o controle urinário, e essa recuperação costuma ser progressiva ao longo dos primeiros meses.


O mesmo estudo identificou os fatores que mais influenciam essa recuperação: idade, índice de massa corporal, outras doenças associadas, sintomas urinários prévios, volume da próstata e a experiência do cirurgião [1].


2. Posso ter disfunção erétil mesmo com os nervos preservados?


Sim, é possível — e entender o motivo ajuda a ter expectativas realistas. Os nervos responsáveis pela ereção passam colados à próstata, como uma fina teia. Mesmo quando são cuidadosamente preservados, eles podem sofrer um “atordoamento” temporário pela manipulação cirúrgica, e a função leva meses para retornar.


Outra revisão sistemática da European Urology mostrou que, entre homens operados por via robótica, as taxas de potência variaram de 54% a 90% em 12 meses e de 63% a 94% em 24 meses [2]. Os fatores mais importantes foram a idade, a qualidade da ereção antes da cirurgia, outras doenças e a extensão da preservação dos nervos. Em termos simples: a recuperação da ereção é gradual, pode levar até dois anos e depende muito de como era a função antes da cirurgia.


3. Como o cirurgião decide se é possível preservar os nervos?


A preservação dos nervos não é uma escolha de preferência: é uma decisão oncológica. O primeiro objetivo da cirurgia é retirar todo o câncer. Por isso, o planejamento considera:

  • o grau do tumor (escore de Gleason / ISUP) e o valor do PSA;

  • a localização e o tamanho da lesão na ressonância magnética multiparamétrica;

  • o risco de o tumor ter ultrapassado a cápsula da próstata;

  • a função erétil e urinária antes da cirurgia.


Quando o tumor está próximo do feixe de nervos de um dos lados, pode ser necessário retirar parte desse tecido para garantir margens livres — preservando, sempre que for seguro, o lado oposto.


4. O que fazer antes da cirurgia para acelerar a recuperação?


A recuperação começa antes da internação. Entre as medidas mais importantes estão o treino da musculatura do assoalho pélvico (fisioterapia pélvica), a atividade física regular, o controle do peso, a parada do tabagismo e o bom controle de doenças como diabetes e hipertensão.


Uma meta-análise publicada no Urology Journal, com 11 estudos na análise, mostrou que iniciar os exercícios do assoalho pélvico antes da cirurgia reduziu a incontinência urinária em 1, 3 e 6 meses após a prostatectomia [3]. Ou seja: chegar à cirurgia com a musculatura treinada ajuda a recuperar o controle da urina mais cedo. Aos 12 meses os resultados se igualaram, o que mostra que o principal ganho está na velocidade da recuperação.


5. Quanto tempo fico internado e com a sonda?


Na cirurgia robótica, a internação costuma ser curta e a recuperação inicial, mais confortável. Uma meta-análise de estudos prospectivos publicada no Journal of Robotic Surgery comparou a cirurgia robótica com a cirurgia aberta e mostrou menor sangramento, menor necessidade de transfusão, menos complicações e cerca de 1,6 dia a menos de internação com a técnica robótica [4]. Para o paciente, isso significa voltar para casa mais cedo e com menos desconforto.


A sonda vesical permanece por alguns dias para proteger a nova junção entre a bexiga e a uretra. O tempo exato é definido pela equipe em cada caso.


6. Quando posso voltar ao trabalho, dirigir, treinar e ter vida sexual?


O retorno às atividades é progressivo e individualizado. De forma geral:

  • Caminhadas leves: estimuladas desde os primeiros dias.

  • Trabalho de escritório ou home office: costuma ser retomado após a retirada da sonda, conforme o conforto.

  • Dirigir: quando o paciente estiver sem sonda e sem dor para frear com segurança.

  • Musculação e esforço intenso: liberados de forma gradual, após reavaliação no pós-operatório.

  • Vida sexual: pode ser retomada quando o paciente se sentir confortável; a reabilitação peniana orientada pelo urologista ajuda a recuperar a função.


7. A cirurgia cura 100% ou posso precisar de radioterapia?


Para a maioria dos tumores localizados, a prostatectomia radical é um tratamento com intenção curativa. Porém, o resultado da anatomia patológica (a análise da próstata retirada) e a evolução do PSA podem indicar a necessidade de um tratamento complementar.


Uma meta-análise publicada na revista The Lancet (colaboração ARTISTIC), que reuniu três grandes ensaios clínicos com 2.153 pacientes, comparou a radioterapia imediata após a cirurgia (adjuvante) com a radioterapia feita apenas se o PSA voltasse a subir (resgate precoce). Não houve diferença no controle da doença: 89% e 88% dos pacientes livres de eventos em 5 anos, respectivamente [5]. Na prática: muitos homens podem ser poupados da radioterapia e de seus efeitos colaterais, desde que o PSA seja acompanhado de perto e o tratamento seja feito no momento certo.


8. O PSA subiu depois da retirada da próstata: o câncer voltou?


Após a prostatectomia, o PSA deve ficar praticamente indetectável, porque a glândula que o produz foi retirada. Uma elevação confirmada do PSA é chamada de recidiva bioquímica. Ela merece investigação, mas não é sinônimo de doença grave.


Uma revisão sistemática conduzida pelo painel de diretrizes da Associação Europeia de Urologia (EAU) e publicada na European Urology mostrou que o impacto da recidiva bioquímica na sobrevida se concentra em um subgrupo: homens cujo PSA dobra rapidamente e com tumores de grau mais alto [6]. Em termos simples: um PSA que sobe nem sempre representa risco de vida — o que importa é a velocidade da subida e as características do tumor. Hoje, exames como o PET-PSMA ajudam a localizar a doença ainda com PSA baixo e a planejar o tratamento com precisão.


9. Quanto custa a cirurgia robótica e o plano de saúde cobre?


O custo da prostatectomia robótica varia conforme o hospital, a equipe e o tipo de acomodação, e envolve honorários médicos, despesas hospitalares e o uso da plataforma robótica. A cobertura pelo plano de saúde depende do contrato de cada paciente. Na Clínica Uro Onco, a equipe orienta cada paciente sobre o orçamento e os caminhos junto ao convênio, com total transparência.


10. Moro fora de São Paulo. Posso fazer a avaliação por teleconsulta?


Sim. A Clínica Uro Onco atende pacientes de todo o Brasil por teleatendimento. Na teleconsulta, o Dr. Bruno avalia exames como PSA, biópsia, ressonância magnética e PET-PSMA, discute as opções de tratamento e planeja as etapas presenciais necessárias em São Paulo.


Mensagem principal


  • A perda de urina e a disfunção erétil após a cirurgia de próstata costumam ser temporárias e melhoram de forma progressiva.

  • A preparação antes da cirurgia faz diferença na velocidade da recuperação.

  • A preservação dos nervos é uma decisão individual, que prioriza a cura do câncer.

  • O acompanhamento do PSA após a prostatectomia robótica permite agir no momento certo, quando necessário.



Sobre o autor


Dr. Bruno Benigno é urologista e uro-oncologista, com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês, Nove de Julho, Beneficência Portuguesa e Hospital Santa Catarina). Fundador da Clínica Uro Onco. CRM-SP 126265 | RQE 60022. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga.


Se este conteúdo foi útil, compartilhe com quem precisa. Tem dúvidas? Agende uma avaliação com o Dr. Bruno Benigno — presencial em São Paulo ou por teleconsulta.



WhatsApp: (11) 99590-1506 | Telefone: (11) 2769-3929 | R. Borges Lagoa 1070, Cj 131, Vila Mariana – São Paulo/SP



Referências Bibliográficas


  1. Ficarra V, Novara G, Rosen RC, et al. Systematic review and meta-analysis of studies reporting urinary continence recovery after robot-assisted radical prostatectomy. Eur Urol. 2012;62(3):405-17. Acesse o estudo original

  2. Ficarra V, Novara G, Ahlering TE, et al. Systematic review and meta-analysis of studies reporting potency rates after robot-assisted radical prostatectomy. Eur Urol. 2012;62(3):418-30. Acesse o estudo original

  3. Rangganata E, Rahardjo HE. The effect of preoperative pelvic floor muscle training on incontinence problems after radical prostatectomy: a meta-analysis. Urol J. 2021;18(4):380-8. Acesse o estudo original

  4. Wang J, Hu K, Wang Y, et al. Robot-assisted versus open radical prostatectomy: a systematic review and meta-analysis of prospective studies. J Robot Surg. 2023;17(6):2617-31. Acesse o estudo original

  5. Vale CL, Fisher D, Kneebone A, et al. Adjuvant or early salvage radiotherapy for the treatment of localised and locally advanced prostate cancer: a prospectively planned systematic review and meta-analysis of aggregate data. Lancet. 2020;396(10260):1422-31. Acesse o estudo original

  6. Van den Broeck T, van den Bergh RCN, Arfi N, et al. Prognostic value of biochemical recurrence following treatment with curative intent for prostate cancer: a systematic review. Eur Urol. 2019;75(6):967-87. Acesse o estudo original


Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Consulte um especialista para avaliação individual.


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