Prostatectomia Robótica e Trombose: Cuidados Antes e Depois

Resposta rápida: quem já teve trombose pode, na maioria dos casos, fazer prostatectomia robótica, desde que o risco seja avaliado e a prevenção seja planejada antes da cirurgia. O plano costuma combinar meia de compressão, compressão pneumática das pernas, anticoagulante por um período após a alta e levantar e caminhar cedo. A cirurgia robótica, por causar menos dor, ajuda o paciente a se movimentar mais rápido, o que também reduz o risco de um novo coágulo.
Quem já teve uma trombose na perna costuma ficar com medo de qualquer cirurgia. E a pergunta é legítima: o histórico de trombose é um dos fatores que mais aumentam o risco de um novo episódio depois de uma operação.
Neste artigo, o Dr. Bruno Benigno, urologista e uro-oncologista em São Paulo (CRM-SP 126265 | RQE 60022), mostra o caso real de um paciente com trombose recente que fez prostatectomia robótica, e explica cada cuidado adotado antes, durante e depois da cirurgia.
Atualizado em 21 de outubro de 2026 · Revisão médica: Dr. Bruno Benigno, urologista (CRM-SP 126265)
Pontos-chave deste artigo
Ter tido trombose não impede, por si só, a prostatectomia robótica.
Histórico pessoal de trombose classifica o paciente como de alto risco para um novo episódio.
A prevenção combina medidas mecânicas (meia e compressão das pernas) e medicação que afina o sangue.
Em pacientes de alto risco, o anticoagulante pode ser mantido por cerca de duas semanas após a cirurgia.
Menos dor após a cirurgia robótica favorece caminhar cedo, o que também protege contra a trombose.
O plano é individual: o benefício da medicação é sempre pesado contra o risco de sangramento.
O caso: prostatectomia robótica em paciente que já teve trombose
O paciente do vídeo tem câncer de próstata e indicação de prostatectomia robótica, a retirada da próstata com auxílio do robô. No planejamento, foi possível prever a preservação do esfíncter urinário (músculo que controla a urina) e dos nervos da ereção.
A particularidade é que ele teve uma trombose venosa na perna pouco tempo antes. Por isso, a equipe montou um plano específico de prevenção. Veja também 5 perguntas para fazer antes da cirurgia de próstata.
Dado do caso | Conduta |
Diagnóstico | Câncer de próstata com indicação de prostatectomia robótica |
Estruturas preservadas | Esfíncter urinário e nervos da ereção |
Fator de risco | Trombose venosa recente na perna (alto risco) |
Prevenção mecânica | Meia de compressão e compressão pneumática das pernas |
Prevenção com medicação | Enoxaparina (anticoagulante injetável) por 14 dias no pós-operatório |
Recuperação | Levantar e caminhar cedo, favorecido pela menor dor |
Quem já teve trombose pode fazer prostatectomia robótica?
Sim, na maioria dos casos. Trombose é a formação de um coágulo dentro de uma veia, geralmente da perna, que pode se soltar e ir para o pulmão (embolia pulmonar). Uma revisão publicada no World Journal of Urology lista quatro fatores do paciente que aumentam o risco após a prostatectomia: idade acima de 75 anos, obesidade importante (IMC acima de 35), trombose em parente de primeiro grau e trombose prévia no próprio paciente [2]. Na prática: quem já teve trombose entra no grupo de maior risco e precisa de um plano de prevenção mais completo, não de uma contraindicação automática.
Qual é o risco de trombose depois da cirurgia de próstata?
O risco depende muito da técnica. Uma meta-análise publicada na European Urology estimou que, na prostatectomia robótica sem retirada de linfonodos, o risco de trombose sintomática fica entre 0,2% e 0,9%; na cirurgia aberta com retirada ampliada de linfonodos, pode chegar a 3,9% a 15,7% [1]. Na prática: a via robótica está entre as de menor risco, mas o risco aumenta conforme o perfil do paciente.
Um estudo multicêntrico publicado no Journal of Robotic Surgery, com 1.886 prostatectomias robóticas de porta única (single-port), encontrou trombose venosa profunda em 0,42% e embolia pulmonar em 0,11% dos pacientes; cada ponto a mais no escore de risco de Caprini aumentou em cerca de 1,6 vez a chance de trombose [3]. Em termos simples: o risco geral é baixo, mas sobe de forma consistente em quem tem mais fatores de risco, como o paciente do vídeo.
Situação | Risco estimado de trombose sintomática |
Prostatectomia robótica sem linfadenectomia | 0,2% a 0,9% |
Prostatectomia aberta com linfadenectomia ampliada | 3,9% a 15,7% |
Prostatectomia robótica de porta única (série multicêntrica, 1.886 casos) | 0,42% trombose venosa profunda; 0,11% embolia pulmonar |
Quais cuidados previnem a trombose na prostatectomia robótica?
A prevenção combina medidas mecânicas e medicação, iniciadas no centro cirúrgico e mantidas após a alta:
Meia de compressão: melhora o retorno do sangue das pernas para o coração.
Compressão pneumática (massageador) das pernas: aperta e solta a panturrilha e os pés de forma ritmada durante e após a cirurgia, imitando o efeito da caminhada.
Anticoagulante (enoxaparina): medicação injetável que ajuda a afinar o sangue; no caso do vídeo, mantida por 14 dias no pós-operatório.
Levantar e caminhar cedo: quanto antes o paciente se movimenta, menor a chance de o sangue ficar parado nas veias.
Uma análise de mais de 65 mil cirurgias urológicas oncológicas, publicada no Journal of Personalized Medicine, mostrou que internação acima de 4 dias, cirurgia com mais de 3 horas e idade acima de 75 anos aumentam o risco de trombose venosa profunda [4]. Na prática: uma cirurgia eficiente, com alta precoce e paciente caminhando logo, é parte da prevenção.
Para o dia a dia após a alta, veja o guia do pós-operatório da cirurgia de próstata.
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1. Quem já teve trombose não pode fazer prostatectomia robótica. Verdade ou mito?
MITO. O histórico de trombose aumenta o risco, mas com um plano de prevenção individual a cirurgia pode ser feita na maioria dos casos.
2. Meia de compressão e massageador nas pernas ajudam a prevenir trombose durante e após a cirurgia. Verdade ou mito?
VERDADE. São medidas mecânicas que melhoram a circulação nas pernas enquanto o paciente está menos ativo.
3. Em pacientes de alto risco, o anticoagulante pode ser mantido por cerca de duas semanas após a cirurgia. Verdade ou mito?
VERDADE. No caso do vídeo, a enoxaparina foi programada por 14 dias no pós-operatório.
4. Ficar deitado e imóvel depois da cirurgia protege contra a trombose. Verdade ou mito?
MITO. A imobilidade favorece a trombose; levantar e caminhar cedo é parte da prevenção.
5. Sentir menos dor depois da cirurgia ajuda o paciente a caminhar mais cedo. Verdade ou mito?
VERDADE. A cirurgia robótica tende a causar menos dor, o que facilita a mobilização precoce.
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Por que a cirurgia robótica ajuda na recuperação?
Porque é feita por pequenas incisões, a cirurgia robótica tende a causar menos dor no pós-operatório. Com menos dor, o paciente sai da cama e caminha mais rápido, e isso diminui o risco de trombose. A precisão do robô também ajuda a preservar estruturas importantes, como os nervos da ereção. Saiba mais sobre a preservação de nervos na prostatectomia robótica.
O anticoagulante aumenta o risco de sangramento?
Pode aumentar, e por isso a decisão é individual. A revisão do World Journal of Urology recomenda usar a prevenção prolongada com medicação quando o risco de trombose supera o risco de sangramento importante, o que costuma acontecer em pacientes de alto risco, como quem já teve trombose [2]. Em termos simples: em quem nunca teve trombose e tem baixo risco, a medicação prolongada pode não ser necessária; em quem já teve, o benefício geralmente compensa. Nunca suspenda ou inicie anticoagulante por conta própria.
Quando procurar um urologista?
Você tem diagnóstico de câncer de próstata e indicação de cirurgia.
Já teve trombose, embolia pulmonar ou tem parente próximo com trombose.
Usa anticoagulante e precisa planejar uma cirurgia.
Após a cirurgia, notar inchaço, dor ou vermelhidão em uma das pernas.
Falta de ar súbita ou dor no peito após uma cirurgia (procure o pronto-socorro imediatamente).
Já teve trombose e vai operar a próstata? Fale com a equipe da Clínica Uro Onco. O atendimento é presencial em São Paulo ou por teleconsulta, para pacientes de todo o Brasil.
Perguntas frequentes sobre prostatectomia robótica e trombose
Quem já teve trombose pode fazer prostatectomia robótica?
Na maioria dos casos, sim. O histórico de trombose coloca o paciente no grupo de alto risco, e por isso a equipe planeja medidas de prevenção mecânicas e com medicação antes, durante e após a cirurgia.
Qual é o risco de trombose após a prostatectomia robótica?
Em pacientes sem fatores de risco adicionais, o risco de trombose sintomática após a prostatectomia robótica sem retirada de linfonodos é estimado entre 0,2% e 0,9%. O risco aumenta com idade acima de 75 anos, obesidade importante, trombose prévia ou na família e cirurgias mais longas.
Por quanto tempo se usa anticoagulante após a cirurgia de próstata?
Depende do risco de cada paciente. Em pacientes de alto risco, como quem já teve trombose, o anticoagulante injetável pode ser mantido por cerca de 14 dias ou mais após a cirurgia, conforme orientação médica.
Para que serve a meia de compressão na cirurgia?
A meia de compressão e a compressão pneumática das pernas melhoram o retorno do sangue das pernas ao coração e reduzem a chance de formação de coágulos enquanto o paciente está deitado ou menos ativo.
Caminhar depois da cirurgia ajuda a evitar trombose?
Sim. Levantar e caminhar cedo reduz o tempo em que o sangue fica parado nas veias das pernas. A cirurgia robótica, por causar menos dor, costuma facilitar essa mobilização precoce.
Quais sinais de trombose devo observar após a cirurgia?
Inchaço, dor, calor ou vermelhidão em uma das pernas devem ser comunicados à equipe médica. Falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue exigem atendimento de emergência imediato.
Sobre o autor
Dr. Bruno Benigno é urologista e uro-oncologista, fundador da Clínica Uro Onco, com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês, Nove de Julho, Beneficência Portuguesa e Hospital Santa Catarina). Atua em câncer de próstata, rim e bexiga e em cirurgias minimamente invasivas. CRM-SP 126265 | RQE 60022.
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Referências bibliográficas
Tikkinen KAO, Craigie S, Agarwal A, et al. Procedure-specific risks of thrombosis and bleeding in urological cancer surgery: systematic review and meta-analysis. Eur Urol. 2018;73(2):242-251. doi:10.1016/j.eururo.2017.03.008. Acesse o estudo original
Klaassen Z, Wallis CJD, Lavallée LT, Violette PD. Perioperative venous thromboembolism prophylaxis in prostate cancer surgery. World J Urol. 2020;38(3):593-600. doi:10.1007/s00345-019-02705-x. Acesse o estudo original
Soputro NA, Okhawere KE, Wang Y, et al. Low incidence of venous thromboembolic complications following single-port robotic surgeries for upper and lower tract urological malignancies: a report from the Single-Port Advanced Research Consortium (SPARC). J Robot Surg. 2025;19(1):709. doi:10.1007/s11701-025-02796-2. Acesse o estudo original
Manivasagam SS, Aminsharifi A, Raman JD. Incidence and predictors of venous thromboembolism following major urologic cancer surgery: toward risk-stratified, personalized prophylaxis strategies. J Pers Med. 2026;16(2):82. doi:10.3390/jpm16020082. Acesse o estudo original
Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Não substitui a consulta médica. Consulte um especialista para avaliação individual.




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